Ylfe

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Significado do nome: Ælf, "elfo", ylfe, "elfos" vêm do proto-germânico *albiz, de origem incerta, possivelmente do proto-indo-europeu *albʰós “branco” (compare com o latim albus) or *lbʰu- “habilidoso”.

Outros nomes: Saxão antigo alf, alto alemão médio alp, nórdico antigo álfr, sueco e inglês elf, português moderno "elfo", islandês moderno huldufólk.

Função: "Elfo" é uma das categorias de seres mais confusas nas visões de mundo germânicas. Pode ser entendido como uma categoria de landwihta, mas é difícil distinguir os vários tipos de elfo, espíritos ancestrais e anões, entre outras criaturas, entre elas mesmo os deuses.


Se formos considerar apenas os registros anglo-saxões, uma ælfādl (doença de elfo), ælfsiden (sob a influência de maus espíritos, um pesadelo), ælfsogoða (uma doença atribuída à influência de elfos, um tipo de possessão demoníaca), além dos vários registros de disparos de elfos (ylfa ġescot), uma espécie de maldição similar ao mal-olhado, não pinta um retrato muito bom dos ylfe. Todavia essas ideias não batem com evidências mais antigas, encontradas em compostos de nomes, que derivam da era heathen da Inglaterra:  Ælfric (Elfo-poderoso), Ælfwine  (Amigo-dos-Elfos), Ælfweard (Elfo-Guardião) e o nome "Alfredo" sugerem que os elfos foram vistos com admiração, e não apenas na forma negativa tardia em que são apresentados.

Os ylfe estão ligados à fertilidade da terra e bem estar; eles são os guardiães do solo, e o povo reinado por Ingui (como atribuído a Freyr, nas Eddas); e nas passagens da mitologia nórdica é difícil diferenciá-los dos deuses Vanir, o que leva estudiosos como Simek a pensar que ambos sejam sinônimos. Ainda tratando-se do imaginário nórdico os ylfe teriam surgido do corpo do gigante Ymir, não tendo sido criados por deuses, como outras criaturas, o que mais uma vez aponta sua ligação com a terra. Todavia eles também são ligados à Sunne, a deusa-sol. Os ylfe poderiam ser compreendidos como o povo de Ingui, protetor de Sunne, assim. Eles teriam um mundo próprio, o qual o Lārhūs Fyrnsida sugere que, pela aproximação de Ingui e dos ylfe com os mortos enterrados em montes, seria encontrado dentro de Middanġeard e não fora ou acima dela.


Iconografia: Montes fúnebres onde familiares foram enterrados.

Fontes atestadas: O livro de medicina popular Lacnunga menciona vários encantamentos contra disparos de elfos. Em um relato nas Konunga Sǫgur o rei Oláfr passa a receber ofertas para prosperidade em seu túmulo e ser chamado "Elfo de Geirstaðr". Na Edda em Prosa de Snorri Sturluson são mencionados três tipos de elfos, embora o relato possa ser uma cristianização maniqueísta dos elfos, dividindo-os em demoníacos e divinos. Turville-Petre sugere que os álfar nórdicos seriam a contraparte masculina das dísir, como espíritos ancestrais, baseado inclusive na ideia de que os sacrifícios para ambos aconteciam na mesma data.

Interpretatio Romana: Nenhuma.

Bīnaman Contemporâneos : Ingþēod (Povo de Ingui).

Fontes
Ylfe, Larhus Fyrnsida <https://larhusfyrnsida.com/fundamentals/wihta/ylfe-elves/>
Entre elfos e ancestrais: Um estudo sobre os álfar através da literatura e cultura germânicas, Sonne Heljarskinn <https://asatrueliberdade.com/2016/10/09/entre-elfos-e-ancestrais-um-estudo-sobre-os-alfar-atraves-da-literatura-e-cultura-germanica/>