Ēotenas

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Significado do nome: ēoten é um gigante; refere-se a Grendel, mas também a antigos habitantes da Jutlândia.

Outros nomes: A origem é o proto-germânico *etunaz, de onde vem também o inglês antigo ent, o inglês moderno ettin e o nórdico antigo jǫtunn (sueco jätte, dinamarquês jætte). Outras formas incluem *þursaz, *þurisaz, origem do inglês antigo þyrs, nórdico antigo þurs, saxão antigo thuris, alto alemão antigo durs, duris. Há também a forma em proto-germânico *risiz, a qual deu origem ao nórdico antigo risi, cognata do holandês moderno reus e alto alemão antigo riso, risi que deram origem alto alemão moderno Riese. Íviðja e gýgr seriam as formas femininas em nórdico antigo. Hrímþurs em nórdico antigo refere-se aos gigantes de gelo, e bergirisi a um gigante da montanha, mesmo significado do holandês moderno bergreus e do alto alemão moderno Bergriese.

Função: Os "gigantes" são apresentados como artesãos hábeis, por um lado, e brutos ignorantes por outro. Em algumas lendas, eles aparecem como dádivas para a humanidade, como poderosos construtores da cidade e como herdeiros de uma sabedoria arcana; enquanto outros contos os apresentam como selvagens canibais, com uma miserável existência em terras liminares e pântanos fétidos.

(Gigante da Montanha por Hamex)

Através das fontes anglo-saxãs antigas, há a introdução do termo latino gigantes, e esse termo parece sugerir mais uma "monstruosidade em maldade e descrença no deus cristão" do que uma "monstruosidade em tamanho físico", segundo Chris Bishop. Já o termo þyrs, quando usado por Beowulf contra Grendel é mais como um insulto. Aparentemente na mentalidade anglo-saxã as coisas estavam razoavelmente separadas; e as palavras para "gigante" não eram exatamente intercambiáveis em todos os momentos. Entas, ēotenas e gigantes parecem por outro lado significar seres poderosos, embora amorais, mas os quais seriam capazes de produzir ferramentas excepcionais. Por outro lado, enquanto há atribuição explícita da origem romana na literatura latina, em inglês antigo, as ruínas romanas na Grã-Bretanha são o trabalho dos gigantes (enta ġeweorc), de acordo com Maree Thomas.

Os entas são ainda associados ao trabalho com pedras, e parece ter sido uma espécie de nome poético usado também em relação às construções romanas fora da Inglaterra, enquanto os gigantes associados com o trabalho com metal sejam bem similares aos dvergar da mitologia nórdica, sendo parte de uma tradição germânica mais antiga, compartilhada entre ambos. 


Na mitologia islandesa, os gigantes aparecem de forma complexa. Embora Snorri tenda a oferecê-los como maus, Skaði, após perder seu pai, é admitida através de casamento entre os deuses de Ásgarðr. Gigantas da terra como Gerda são procuradas por deuses para casamento. Óðinn deita-se com uma giganta em busca do hidromel da sabedoria, e jogos de adivinhação mortais são feitos com gigantes. Todavia, Þórr é o paladino dos gigantes — embora ele mesmo seja filho de uma giganta. Dos gigantes de fogo, principalmente, é dito que trarão a destruição da ordem estabelecida pelos deuses de Ásgarðr, e eles são criaturas primevas, provavelmente anteriores a tudo o que se reflete na mitologia escrita. Eles parecem ligados a fenômenos como os severos invernos do norte europeu e o verão, causados por gigantes de gelo e os de fogo, respectivamente.

Assim como os dweorgas, é mais provável que os ēotenas não fossem objeto de culto direto, como o eram os ēse, e poderiam ser também os ylfe. Todavia, ofertas propiciatórias podem ser feitas para evitar problemas ou invocar ajuda em casos bastante específicos, como construções ousadas.

Iconografia: Provavelmente montes e paisagens impressionantes, bem como temperaturas extremas como inverno e verão acentuados.

Fontes atestadas: É de Beowulf que sabemos que os ēotenas eram ferreiros qualificados e que os artefatos que eles criaram poderiam ser usados por homens, como a própria espada com que Beowulf mata a mãe de Grendel. O Andarilho (The Wanderer) contém uma referência ao deus dos cristãos destruindo o trabalho dos gigantes, e Frankis argumenta que isso pode ser explicado com referência a uma confusão de histórias bíblicas sobre gigantes e a Torre de Babel. A confusão de três passagens do Gênesis resultou na lenda de que Nimrod era um gigante e rei da Babilônia, que, com a ajuda de seus colegas gigantes, tentou construir uma torre para chegar ao céu, até que o deus crstão interveio e acabou com seu trabalho, confundindo sua linguagem, no que podemos ver um profundo sincretismo entre a mentalidade cristã e a germânica. Todavia, as atribuições ao trabalho dos romanos e a simbologia cristã parecem estar intrinsecamente ligados, e revelarem o papel dos ēotenas pré-cristãos.

Interpretatio Romana: gigans, gigantes.

Bīnaman Contemporâneos : --

Fontes:
ēoten, Old English Wordhord <https://oldenglishwordhord.com/2015/10/18/eoten/>
Thyrs, ent, eoten, gigans – Anglo-Saxon ontologies of ‘giant’, Chris Bishop <http://www.academia.edu/1588997/>
Bishops, Giants, and Ideas about Rome in Early Anglo-SaxonLiterature, 597-c.800, Hollie Maree Thomas <http://bit.ly/2CyHQOP>